Há lugares no planeta cuja geografia parece dobrar o próprio tempo histórico, impondo uma relevância que desafia a métrica banal da sua área territorial. Gibraltar é, por excelência, o ápice dessa anomalia espacial. Encrustado na ponta sul da Península Ibérica como uma vértebra de calcário e dolomita projetada contra o Mar Mediterrâneo, este promontório de apenas 6,8 quilômetros quadrados carrega uma densidade de eventos, guerras, acordos e mistérios desproporcional à sua escala física. Trata-se de uma proeminência rochosa que ergue seus 426 metros de altitude não apenas sobre o nível do mar, mas sobre o entroncamento exato onde dois continentes — Europa e África — se entreolham e onde dois oceanos — o Atlântico e o Mediterrâneo — trocam correntes e destinos.
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