Dentre todos os artefatos que já povoaram os lares e o imaginário da cultura de massa no século XX, poucas obras alcançaram uma reputação tão densa, perturbadora e persistente quanto a série de retratos conhecida universalmente como “O Menino que Chora”. O que deveria ter sido apenas uma coleção de reproduções baratíssimas — destinadas a conferir uma pátina de melancolia e sentimentalismo às paredes de salas de estar modestas — metamorfoseou-se, pelo viés do pavor, em um dos enigmas mais fascinantes e sinistros da história moderna. A narrativa que envolve estas telas não nasceu nos grandes museus, tampouco nos salões aristocráticos da alta crítica de arte, mas sim no tecido vivo, úmido e sombrio dos subúrbios urbanos da Europa do pós-guerra. Em meados da década de 1980, contudo, a aura ao redor das pinturas tomou feições de um pesadelo coletivo. Incêndios devastadores, de origens abruptas e voracidade inexplicável, passaram a consumir dezenas de residências na Grã-Bretanha.
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