Em 1964, a ferida ainda estava aberta, e a seleção vinha do fiasco estrondoso na Copa do Mundo de 1962, no Chile. Foi exatamente nesse cenário de desconfiança e poeira que surgiu uma revolução silenciosa, capitaneada por um técnico pragmático, corajoso e ex-preparador físico chamado José Villalonga. Em vez de dobrar a aposta em astros naturalizados veteranos e com a barriga cheia de títulos — como Alfredo Di Stéfano e Ferenc Puskás —, Villalonga peitou a federação e promoveu uma limpeza geral no vestiário. Decidiu bancar o que a imprensa da época chamava pejorativamente de "chicos": garotos jovens, operários da bola, pratas da casa famintos por glória que jogavam no campeonato nacional e que trocavam o estrelismo individual pela raça, pela disciplina militar e pelo amor visceral à camisa nacional.
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