Em Vila do Desterro, onde o sol parece cobrar aluguel da pele e até a poeira anda cansada, Vinte-e-Um vive de astúcia, conversa fiada e pequenos golpes para não morrer de fome. O problema é que sua dívida com o temido Coronel Pantaleão cresce mais depressa que a coragem de quem deve. Quando um excêntrico colecionador vindo da capital aparece disposto a comprar qualquer raridade, Vinte-e-Um tem uma ideia que só poderia nascer de uma cabeça desesperada: vender a própria sombra. O que começa como um truque de sobrevivência logo vira escândalo público, crise religiosa, disputa de poder e uma guerra de interesses onde beatas, coronel, padre, doutor e juiz transformam o impossível em assunto de lei. Entre calor brutal, esperteza popular e absurdos muito sérios, O Homem que Vendeu a Própria Sombra é uma farsa sertaneja afiada sobre miséria, vaidade e o preço que o mundo inventa para aquilo que ninguém pode possuir.
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