Meu nome é Maia. Antes do pó e do estalo do isqueiro, eu tinha planos, um filho no colo e o diploma na gaveta. Mas a rua não lê currículo, ela devora destinos. Quando a fome apertou e a fissura gritou mais alto que a dignidade, troquei o pouco que me restava de orgulho pelas esquinas de São Paulo. A prostituição não foi escolha, mas o único alento quando o mundo me fechou todas as portas. Entre o brilho falso do asfalto molhado e o frio de quem me usa e vai embora, procuro os pedaços da mulher que eu era, numa jornada de dor, superação e esperança. Janeiro de 2026.
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