A primeira sensação que o leitor terá ao ler MEMÓRIAS DE ALICE, da sensível Ecilla Bezerra, será sentir o cheiro da comida, um cheiro saudosista, um cheiro que remete a uma época desconhecida, mas ainda assim, familiar. Durante toda a leitura, as ânsias dos personagens são habilmente posicionadas na narrativa, de forma orgânica e muito sensorial, habilidades de uma escritora preocupada com a trama e, principalmente, com o leitor. Fome, desejo, tristeza, ódio, amor, permeiam cada página. Nos deixando muitas vezes dentro da história. Da infância na fazenda onde nasceu, até ser levada pelos padrinhos para São Paulo, Alice é discriminada por ser filha bastarda. Nos tachos de doces e nas panelas, onde prepara quitutes tirados do livro de receitas que ganhou de uma escrava, Alice encontra motivo para viver. Visitando as casas das amigas que vai amealhando, sente desejo de ter seu próprio lar. ...
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