Eu!
Meu nome é José, mas também é João
Sou feito do barro, da areia do chão
Tenho partes de um, e de outro também
Sou dois sou um e ás vezes ninguém.
João é a emoção, José a razão
Uma luta constante entre o sim e o não
Uma mesma moeda de faces opostas
Um mesmo olhar de frente ou de costas.
Sou a mão que acerta e o erro da mão
O verso e o reverso de uma mesma poção
Sou o corte da faca com o cheiro da rosa
Sou o verso de amor num conto de prosa
Sou João José Santaroza!
Poesia!
O vento que sopra me alveja a alma com dardos de sal,
Já são tantas as tempestades que nem isso já me faz mal,
Não sei mais se quando há paz, ela é mesmo real,
Já não se a prefiro, ou se prefiro o vendaval!
Vivi meus caminhos todos de um jeito muito salgado,
É certo que muito amei, e que também fui amado,
Porem é certo também, que já fui ferido e derrotado,
Levantei-me sabe-se lá como, para não ser imolado!
Deixei meu rastro na areia que ficaram em meu passado,
Hoje navego por mares d’alma, nunca dantes navegados,
Sei que é um presente divino e esse será meu legado,
Falar a todo coração, principalmente aos mais apagados!